Um novo estudo europeu revela um impacto significativo da enxaqueca na vida das mulheres. Uma doença neurológica crónica que é frequentemente desvalorizada e assumida como “uma dor de cabeça”. A doença atinge duas a três vezes mais as mulheres do que os homens e constitui uma das principais causas de incapacidade entre as mulheres na idade ativa.
A doença continua, no entanto, a ser subdiagnosticada, subtratada e pouco considerada nas políticas de saúde da mulher.
No estudo realizado pela Ipsos, a pedido da farmacêutica Organon, participaram 3.000 mulheres em França, na Alemanha e no Reino Unido, e permitiu identifica lacunas persistentes no reconhecimento e no tratamento da enxaqueca nos sistemas de saúde, nos locais de trabalho e na sociedade.
As mulheres em Portugal não foram incluídas no estudo, no entanto, os profissionais de saúde e associações de pessoas com enxaqueca reconhecem que muitos das conclusões poderão refletir também a realidade nacional.
“Em toda a Europa, tal como no nosso país, a enxaqueca continua em grande medida invisível. Estes resultados confirmam aquilo que observamos diariamente através do nosso trabalho com pessoas que vivem com enxaqueca: a falta de reconhecimento médico, social e profissional desta doença neurológica incapacitante. É urgente integrar plenamente a enxaqueca nas políticas de saúde da mulher, tanto em Portugal como em toda a Europa”, referiu, citada em comunicado, Isabel Pireza, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da MiGRA Portugal – Associação Portuguesa de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias
Enxaqueca condiciona o quotidiano e a vida profissional
Para além dos sintomas físicos, é conhecido que a enxaqueca pode afetar profundamente o quotidiano, limitando a capacidade de conciliar responsabilidades familiares, compromissos profissionais e atividades sociais.
Entre as mulheres com enxaqueca inquiridas:
- 13% sentem-se pouco ou nada apoiadas pela família ou comunidade.
- 54% afirmam que as responsabilidades de prestação de cuidados a crianças ou outros familiares dificultam a gestão das crises de enxaqueca.
Entre as participantes profissionalmente ativas:
- 33% consideram que o empregador não compreende a sua condição ou não disponibiliza adaptações adequadas;
- 19% frequentemente ou ocasionalmente alvo de estigma ou discriminação no local de trabalho devido à enxaqueca.
Para os especialistas os dados ilustram uma realidade que permanece muitas vezes invisível e mostram as dificuldades enfrentadas por numerosas mulheres na conciliação da saúde com as responsabilidades familiares, profissionais e sociais.












