Estudo em empresas de energia mostra que mulheres nas administrações aumenta receitas da inovação ambiental

Estudo em empresas de energia mostra que mulheres nas administrações aumenta receitas da inovação ambiental
Estudo em empresas de energia mostra que mulheres nas administrações aumenta receitas da inovação ambiental. na imagem investigador Rui Guedes. Foto: DR

Estudo internacional concluiu que a presença de mais mulheres nos conselhos de administração das empresas do setor de energia pode ajudar essas empresas a transformar a inovação ambiental em receitas provenientes de atividades sustentáveis.

O estudo liderado pela Universidade de Aveiro (UA) analisou 158 empresas de energia cotadas em bolsa, de 33 países, entre 2015 e 2024, já foi publicado na revista “Business Strategy and the Environment“, e de que são autores Rui Guedes, Catarina Proença, Elisabete Neves e Adriana Silva.

Os autores do estudo mostram que níveis mais elevados de inovação ambiental tendem a traduzir-se num melhor desempenho nos mercados verdes, sobretudo nas empresas que apresentam maior diversidade de género nos conselhos de administração.

Nas empresas onde as mulheres representam cerca de 20% ou mais dos membros do conselho de Administração verifica-se uma mais forte relação positiva entre inovação ambiental avançada e receitas provenientes de atividades sustentáveis.

A investigação coordenada por Rui Guedes, da Unidade de Investigação da UA em Governança, Competitividade e Políticas Públicas, revelou ainda que a relação entre inovação ambiental e desempenho económico não é linear.

Em comunicado, a UA descreve que numa fase inicial, os investimentos em inovação ambiental tendem a produzir efeitos neutros ou mesmo negativos sobre as receitas. No entanto, à medida que as empresas desenvolvem capacidades tecnológicas mais avançadas, começam a surgir resultados positivos, traduzidos em maiores receitas provenientes de produtos e serviços sustentáveis.

Para os investigadores, indicou a UA, estes resultados ajudam a explicar conclusões contraditórias encontradas em estudos anteriores, sugerindo que a inovação ambiental e a diversidade de género nos órgãos de administração não devem ser encaradas como fatores independentes, mas sim como elementos complementares e interligados.

Ora, o estudo tende a fornecer novas evidências de que a capacidade de gerar valor económico a partir da inovação verde poderá depender, em parte, das estruturas de governação das empresas.

Os investigadores concluíram que, no contexto da amostra analisada e da transição energética, um melhor desempenho nos mercados verdes passa também pelo alinhamento entre a capacidade de inovação das empresas e os seus mecanismos de supervisão estratégica.

Isto leva a considerar, indicam os investigadores, que o desenvolvimento de capacidades técnicas avançadas parece ser mais eficaz quando acompanhado por estruturas de governação que favoreçam a sua valorização comercial.