A fibrose renal é uma característica da doença renal crónica. É uma das doenças crónicas mais disseminadas e letais. Um doença que é, muitas vezes, difícil de detetar na prática clínica. Agora, investigadores desenvolveram moléculas repórteres que podem auxiliar os clínicos no diagnóstico e na avaliação da progressão da fibrose nos rins através de métodos não invasivos, como a urinálise.
Um estudo já publicado na revista “Science Translational Medicine” mostra resultados promissores após estudo que envolveu um grupo de 35 indivíduos. O estudo mostrou que as moléculas repórteres podem ajudar a concretizar o objetivo, há muito desejado, de uma forma não invasiva de diagnóstico e monitorização da fibrose renal.
Muitos doentes com doença renal crónica desenvolvem fibrose renal irreversível, que ocorre quando o tecido conjuntivo se acumula nos rins e compromete a sua função.
O tratamento precoce poderá melhorar os resultados, mas a falta de diagnósticos fiáveis tem tornado difícil o início do tratamento. As biópsias são atualmente o meio standard de diagnóstico, mas o método é invasivo e sujeito a viés do observador. Por outro lado os testes séricos de biomarcadores existentes apenas conseguem detetar a doença numa fase avançada.
A investigadora Lijuan Zhu adotou uma abordagem diferente, e em conjunto com outros cientistas recorreram à imagiologia molecular e desenvolveram uma molécula de imagem chamada repórter sensor de fibrogénese (FSR, na sigla em inglês), que emite fluorescência ao detetar a atividade de uma enzima chamada TG2. Esta enzima está fortemente envolvida na sinalização fibrótica e apresenta níveis elevados na urina de doentes com fibrose renal, sendo um marcador promissor da doença.
A equipa de investigadores com Lijuan Zhu descobriram que a sua sonda conseguia identificar níveis de atividade da TG2 que se correlacionavam com a gravidade da fibrose renal quando combinada com exames de imagem renal ou de urina em dois modelos de ratos.
O FSR conseguiu também distinguir os doentes com doença renal crónica dos controlos saudáveis numa coorte de 35 participantes quando aplicado com urinálise não invasiva. É importante salientar que também discriminou entre casos ligeiros e graves de fibrose, sugerindo que o método pode auxiliar tanto no diagnóstico precoce como na estratificação dos doentes.















