O tratamento do glioblastoma com medicamentos, conhecidos como inibidores de EGFR, tornou o cancro mais sensível à quimioterapia. As conclusões são de um estudo em modelos pré clínicos, liderado por investigadores do UT Southwestern Medical Center e da Universidade do Alabama em Birmingham, e publicadas na revista Science Translational Medicine.
“O glioblastoma é um cancro cerebral devastador, com prognóstico sombrio e sem tratamentos realmente eficazes. O nosso estudo pode trazer novas esperanças aos aproximadamente 250.000 pacientes diagnosticados com essa doença por ano no mundo”, disse Amyn Habib, especialista em Neurologia e Neurocirurgia da UT Southwestern.
Apesar de décadas de investigação, o prognóstico para o glioblastoma continua sombrio, com a maioria dos pacientes a sobreviver de 12 a 18 meses após o diagnóstico, com taxas de sobrevida em cinco anos de 5% a 7%.
Além da cirurgia e da radioterapia, o glioblastoma é geralmente tratado com o agente quimioterápico temozolomida (TMZ). Este medicamento age danificando o ADN das células cancerígenas, impedindo sua divisão e, eventualmente, causando sua morte. No entanto, pacientes com glioblastoma que inicialmente respondem à TMZ quase inevitavelmente desenvolvem um cancro cerebral incurável e resistente ao medicamento. Não existem tratamentos eficazes para o glioblastoma recorrente e resistente à TMZ.
Os investigadores sabem há muito tempo que o TMZ é mais eficaz em tumores que não produzem uma proteína chamada O-6-metilguanina-ADN metiltransferase (MGMT), responsável pelo reparo dos danos ao ADN causados pelo TMZ. No entanto, como o TMZ demonstrou aumentar a expressão de MGMT ao longo do tempo, compreender como as células regulam esse processo pode levar a tratamentos mais eficazes para o glioblastoma.
A equipa de Amyn Habib tem vindo a investigar sobre como o recetor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), uma proteína produzida por um gene frequentemente mutado no glioblastoma, impulsiona esse e vários outros tipos de cancro. Ao estudar quais vias moleculares que são influenciadas pelo EGFR, Amyn Habib e seus colegas descobriram que a inibição do EGFR também reduziu significativamente a quantidade de MGMT produzida por células de glioblastoma cultivadas em laboratório. Os investigadores encontraram um efeito semelhante em modelos de glioblastoma em ratos.
Estudos adicionais mostraram que um inibidor de EGFR chamado afatinibe também tornou as células de glioblastoma e os tumores em crescimento em ratos mais sensíveis ao TMZ, mesmo quando já haviam desenvolvido resistência ao medicamento. No entanto, essa estratégia só funcionou quando os investigadores realizaram um pré-tratamento com afatinibe, um dia antes da administração do TMZ. Administrar ambos os medicamentos simultaneamente não teve efeito, afirmou Amyn Habib, uma vez que a produção de MGMT precisa de ser interrompida pela inibição do EGFR para que o TMZ possa exercer a função.
A descoberta pode explicar por que os ensaios clínicos que testaram a administração conjunta de TMZ e inibidores de EGFR não obtiveram sucesso, acrescentou o Amyn Habib. Quando os investigadores examinaram amostras de glioblastoma de pacientes que participaram num desses ensaios, descobriram que as células tumorais apresentavam altos níveis de MGMT, o que impedia a ação do TMZ. Amostras de glioblastoma de um ensaio clínico diferente, que testou apenas um novo inibidor de EGFR, mostraram níveis de MGMT significativamente reduzidos, sugerindo que o TMZ pode ser eficaz após a administração do medicamento direcionado ao EGFR.
Para Amyn Habib se futuros ensaios clínicos confirmarem que o tratamento com inibidores de EGFR sensibiliza pacientes com glioblastoma ao TMZ, essa estratégia poderá eventualmente tornar-se o padrão no tratamento do cancro.















