O risco de demência está associado a um mau sono mas esse risco é maior para pessoas com epilepsia em comparação com as pessoas sem a condição conclui estudo já publicado na revista médica da Academia Americana de Neurologia, Neurology. Além disso, dormir o suficiente, de seis a oito horas por dia, está associado a pontuações cognitivas mais altas do que dormir mal, menos de seis ou mais de oito horas por dia.
No entanto, o estudo não prova que a má qualidade do sono cause pior nível cognitivo e risco de demência, apenas mostra uma associação.
No estudo, os investigadores analisaram especificamente a epilepsia focal, que ocorre quando as convulsões começam muma parte específica do cérebro.
“Problemas de sono podem agravar a atividade convulsiva, enquanto as próprias convulsões podem perturbar o sono, mas ainda não está claro até que ponto a má qualidade do sono afeta as habilidades cognitivas e o risco de demência”, disse o autor do estudo, Xin You Tai, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
O investigador acrescentou: “Nosso estudo sugere que ter um sono de qualidade pode ser especialmente benéfico para a cognição e para o risco de demência em pessoas com epilepsia focal.”
O estudo envolveu 482.207 pessoas com idade média de 58 anos que não apresentavam demência no início do estudo. Dos participantes, 3.788 tinham epilepsia, 6.372 tinham histórico de acidente vascular cerebral (AVC) e um grupo de controlo de 472.047 pessoas não apresentava nenhuma das duas condições. Pessoas com AVC foram incluídas como grupo de comparação, uma vez que apresentavam uma condição neurológica, mas não convulsões. Os participantes foram acompanhados por uma média de 12 anos, período durante o qual 5.826 pessoas desenvolveram demência.
O controlo dos tempos de sono foram com base nas respostas a questionários pelos participantes. Os participantes foram submetidos a testes cognitivos para avaliar a função executiva, que inclui habilidades de planeamento e resolução de problemas.
Os investigadores descobriram que um sono de qualidade estava associado a uma melhor função executiva nos três grupos. O impacto de um sono de qualidade foi mais forte em pessoas com epilepsia focal em comparação com o impacto em pessoas sem epilepsia ou AVC. Por outro lado, o impacto de um sono de qualidade em pessoas com AVC não foi maior em comparação com pessoas sem epilepsia ou AVC.
Entre as pessoas com epilepsia, 2% das que tinham sono ideal e 5% das que tinham sono ruim desenvolveram demência. Das que sofreram AVC, 4% das que tinham sono ideal e 6% das que tinham sono ruim desenvolveram demência. Das pessoas sem nenhuma dessas condições, 1% das que tinham sono ideal e 2% das que tinham sono ruim desenvolveram demência.
Após ajustes para fatores como idade, sexo, escolaridade e nível socioeconómico, os investigadores afirmam que pessoas com epilepsia e sono de má qualidade apresentaram um risco cinco vezes maior de desenvolver demência, e pessoas com AVC apresentaram um risco três vezes e meia maior, em comparação com pessoas sem epilepsia e sem AVC que tinham sono de qualidade.
“É importante destacar que também descobrimos que a diferença no risco de demência entre sono ideal e sono de má qualidade foi maior em pessoas com epilepsia focal do que em pessoas do grupo de controlo”, disse o investigador. “Por outro lado, para pessoas com AVC, após ajustes, não houve diferença no risco de demência entre sono ideal e sono de má qualidade em comparação com pessoas do grupo de controlo. Melhorar o sono pode oferecer uma estratégia de manejo eficaz e acessível para reduzir o risco de demência em pessoas com epilepsia focal.”














