Não conseguir dormir pode ter origem genética

Estudo de grande dimensão confirma que a insónia é hereditária. Investigadores provaram haver uma ligação genética entre insónia e distúrbios psiquiátricos, como depressão, ou outras debilidades físicas, incluindo a diabetes tipo 2.

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Não conseguir dormir poderá ter origem genética
Não conseguir dormir poderá ter origem genética.

Investigadores identificaram genes que podem estar envolvidos no desenvolvimento de distúrbios do sono e, também, mostraram haver uma ligação genética entre a insónia e distúrbios psiquiátricos, como depressão, ou outras condições físicas, incluindo a diabetes tipo 2.

O estudo, agora publicado na revista Molecular Psychiatry, pela Springer Nature, foi liderado por Murray Stein, da Universidade da Califórnia, em San Diego, e pelo Sistema de Cuidados de Saúde dos Veteranos, de San Diego.

Dados estatísticos indicam que cerca de 20% dos americanos, e cerca de 50% dos veteranos militares dos EUA, sofrem de problemas para dormir. É conhecido que os efeitos da insónia podem ser debilitantes e colocam uma pressão sobre o sistema de saúde. A insónia crónica está associada a vários tipos de diabetes, como transtorno de stress pós-traumático e suicídio.

Estudos paralelos mostraram haver várias condições relacionadas com o sono, incluindo a insónia, que são hereditárias. Com base nestas descobertas, os investigadores analisaram especificas variantes de genes. Murray Stein referiu “que estes estudos são importantes, dada a vasta gama de razões que leva as pessoas a sofrer de insónia e os diferentes sintomas e tipos de sofrimento que podem ser experimentados.”

Para o investigador “uma melhor compreensão das bases moleculares para a insónia será fundamental para o desenvolvimento de novos tratamentos.”

No estudo, a equipa de investigação realizou uma ampla gama de estudos de associação. Foram analisadas amostras de ADN de mais de 33 mil soldados que participaram do Estudo do Exército, para Avaliar o Risco e Resiliência em Servidores. Os dados da descendência europeia, africana e latina foram agrupados separadamente, como parte dos esforços para identificar a influência de linhagens ancestrais específicas. Os investigadores também compararam os resultados com os dois estudos recentes que usaram o UK Biobank.

De modo geral, o estudo confirma que a insónia tem em parte base hereditária. Os investigadores também encontraram uma forte ligação genética entre a insónia e a diabetes tipo 2. Entre os participantes de descendência europeia, havia mais um laço genético entre insónia e uma maior depressão.

“A correlação genética entre transtorno de insónia e outros transtornos psiquiátricos, como maior depressão e distúrbios físicos, como diabetes tipo 2, sugere predisposição genética para estes fenótipos”, referiu Murray Stein, e acrescentou que as descobertas são semelhantes a estudos anteriores.

A insónia foi ligada à ocorrência de variantes específicas no cromossomo 7. Nas pessoas de ascendência europeia, também houve diferenças no cromossomo 9. A variante do cromossomo 7, por exemplo, é próxima de AUTS2, um gene que foi associado ao consumo de álcool, que se relacionam com o desenvolvimento cerebral e a sinalização elétrica relacionada ao sono.

“Várias destas variantes estão confortavelmente entre locais e caminhos já conhecidos por estarem relacionadas com o sono e os ritmos circadianos”, indicou Murray Stein. “A insónia pode contribuir para o risco genético de uma condição de saúde, incluindo transtornos psiquiátricos e doenças metabólicas”.

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