A complexidade dos alimentos que são ricos em sódio e nutrientes essenciais cria desafios na redução de sódio e na reformulação dos alimentos. A conclusão é de uma nova investigação para compreender o perfil nutricional dos principais contribuintes para a ingestão de sódio proveniente dos alimentos que tem implicações para a saúde pública, orientações dietéticas e esforços de reformulação de alimentos.
Para os investigadores é crucial também compreender os níveis de diferentes nutrientes em alimentos que representam preocupações para a saúde pública, para garantir que os esforços contínuos para reduzir a ingestão de sódio não comprometam inadvertidamente a qualidade nutricional geral da dieta.
Os dados, do novo estudo liderado por investigadores da Universidade de Toronto, indicam que essa análise é necessária para “evitar consequências indesejadas, como a redução de nutrientes deficientes ou a substituição de alimentos ricos em nutrientes”. Uma investigação apoiada pelo Comité de Sódio em Alimentos e Implicações para a Saúde da Associação Internacional de Nutrição e Serviços de Saúde.
Os nutrientes contidos nos alimentos
Por exemplo, a pizza fornece quantidades moderadas de ferro, folato (vitamina B9) e cálcio. O estudo refere “frios, pratos mistos de carne, burritos/tacos, hambúrgueres, aves e nuggets de frango foram os que mais contribuíram, com 40% a 50%, para as porções de proteína”.
O estudo conclui que as principais fontes de sódio também contribuem com nutrientes essenciais que devem ser considerados durante os esforços de redução e reformulação do sódio. Reformular alguns produtos alimentícios para reduzir o sódio em 10% a 30% é viável, “mas também deve ser implementado de forma a preservar a contribuição nutricional desses alimentos”, afirmam os autores do estudo.
Dados da investigação
Para análise, os investigadores usaram dados representativos a nível nacional do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos EUA de 2017-2018, um inquérito transversal contínuo realizado com pessoas residentes nos EUA. Os participantes responderam a um questionário presencial de recordatório alimentar de 24 horas e realizaram um exame de saúde. Os investigadores recolheram dados de diversos grupos e categorias demográficas.
Os resultados da análise da investigação mostraram que muitas das principais categorias de alimentos que contribuem para a ingestão de sódio, como vegetais, queijo, frios e pães, também são fontes de nutrientes que as pessoas não consomem em quantidade suficiente. Esses nutrientes considerados “carentes” incluem potássio, fibras, cálcio e vitamina D. Além disso, entre os principais contribuintes estão grupos alimentares de importância para a saúde pública, como laticínios, vegetais e grãos. Por outro lado, alguns desses alimentos também podem conter o que os cientistas chamam de nutrientes que devem ser limitados, como sódio, mas também gordura saturada e açúcares.
Desafio Alimentar Complexo
O estudo conclui: “Dada a complexidade dos alimentos que são simultaneamente ricos em sódio e fontes de nutrientes essenciais, sistemas de rotulagem frontal interpretativa podem ajudar os consumidores… Evidências de outros países sugerem que tais sistemas podem incentivar a mudança para produtos com menor teor de sódio e mais saudáveis.”
Para Mavra Ahmed, primeira autora do estudo e investigadora associada do Departamento de Ciências Nutricionais da Faculdade de Medicina Temerty da Universidade de Toronto, “essas descobertas destacam uma tensão crítica nas políticas de redução de sódio — muitos dos alimentos que mais contribuem para a ingestão de sódio também fornecem nutrientes essenciais. Portanto, as políticas devem adotar uma abordagem mais matizada e sistémica para evitar compensações nutricionais não intencionais.”
Também para Mary L’Abbe’, investigadora principal do estudo e professora emérita de Ciências Nutricionais da Temerty Medicine, “Estes resultados mostram que é importante que os fabricantes continuem a concentrar os seus esforços na redução dos níveis de sódio nos alimentos, particularmente naqueles que são ricos em sódio e que também contribuem com outros nutrientes importantes que os americanos precisam nas suas dietas.”















