Rastreio do cancro do colón e reto por colonoscopia em adultos com 75 ou mais anos

Rastreio do cancro do colón e reto por colonoscopia em adultos com 75 ou mais anos
Rastreio do cancro do colón e reto por colonoscopia em adultos com 75 ou mais anos

A Sociedade Americana do Cancro recomenda o rastreio do cancro do colón e reto em adultos a partir dos 45 anos e até aos 75 anos – em Portugal a norma da Direção Geral da saúde aponta para a população dos 50 aos 74 anos (inclusivo). No entanto, adultos com idade superior com histórico de pólipos pré-cancerígenos, conhecidos como adenomas geralmente também são submetidos a colonoscopias de acompanhamento.

Embora o cancro seja uma das principais causas de morte em idosos, muitas vezes existem outras condições de saúde mais graves que podem tornar a colonoscopia, que requer anestesia, mais arriscada.

Em um estudo recente já publicado a 9 de abril de 2026 na “JAMA”, investigadores liderados por Samir Gupta, gastroenterologista e professor de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, em San Diego, EUA, analisaram veteranos americanos com 75 ou mais anos que já tinham sido submetidos a colonoscopias para determinar se os benefícios da vigilância contínua do cancro superavam os riscos de outras condições de saúde.

Os investigadores verificaram que os adultos com 75 ou mais anos que apresentaram adenoma em colonoscopia prévia tiveram maior probabilidade de desenvolver cancro do colón e reto subsequente e de falecer em decorrência do cancro, em comparação com os adultos que não apresentaram adenoma em colonoscopia prévia.

No entanto, os riscos cumulativos foram baixos e amplamente superados pelos riscos concorrentes de óbito por outras causas. Idosos podem considerar a possibilidade de priorizar outras questões de saúde em detrimento da colonoscopia de vigilância.

Dos 91.952 indivíduos com idade dos 69 aos 73 anos na última colonoscopia, sendo 98% do sexo masculino que realizaram colonoscopia antes dos 75 anos de idade, 25.538 ou 27,8% apresentavam adenoma e 66.414 ou 72,2% não apresentavam. Após 10 anos de acompanhamento, a incidência cumulativa de cancro do colón e reto foi de 1,1% nos que possuíam adenoma versus 0,7% naqueles que não tinham apresentado adenoma.

Após 10 anos de acompanhamento, a incidência cumulativa de óbito por cancro do colón e reto foi de 0,5% em indivíduos com adenoma versus 0,4% em indivíduos sem adenoma. A incidência cumulativa de óbito por outras causas que não cancro do colón e reto variou de 46,9% a 48,4% em 10 anos.

Para indivíduos com adenoma, a incidência de cancro do colón e reto foi substancialmente menor do que a incidência cumulativa de óbito por outras causas que não o cancro do colón e reto após 10 anos de acompanhamento, em todos os níveis de fragilidade – variando de 34,2% entre indivíduos não frágeis a 82,0% entre indivíduos gravemente frágeis.