Compreender para vencer o cancro cerebral

Compreender para vencer o cancro cerebral
Compreender para vencer o cancro cerebral

Dados do Programa de Vigilância, Epidemiologia e Resultados Finais do Instituto Nacional do Cancro, EUA, indicam que todos os tipos de cancro cerebral, em conjunto, têm uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas 33%.

Para o glioblastoma, um tipo de cancro cerebral, no entanto, a taxa de sobrevida em cinco anos é de 7%, referiu Sara GM Piccirillo, do Departamento de Biologia Celular e Fisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Novo México.

A especialista em oncologia, Sara GM Piccirillo afirmou que a taxa de sobrevivência permanece baixa porque o glioblastoma reaparece quase 100% das vezes. Mesmo após cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia com campo elétrico, os tumores voltam a crescer, e os cirurgiões muitas vezes não conseguem removê-los completamente com segurança.

A oncologista tem concentrado a sua investigação na doença residual do glioblastoma, as células cancerígenas cerebrais que permanecem após o término do tratamento.

Em investigações anteriores, a investigadora demonstrou que as células em tumores de glioblastoma diferem entre si, mesmo dentro do mesmo tumor, e referiu que essa extrema variação celular torna os tumores propensos à recorrência. Embora algumas células respondam à terapia, outras não.

As células sobreviventes podem reiniciar um tumor e também podem resistir a terapias anteriores, o que limita as opções de tratamento, esclareceu a investigadora.

De acordo com o artigo “Núcleo único e paisagem espacial da zona subventricular em glioblastoma humano”, publicado na Cell Reports, de que são autores a equipa de Sara Piccirillo, em 65% das pessoas com glioblastoma as células tumorais não removidas residem em uma região específica do cérebro chamada zona subventricular. Uma região que a equipa descreveu como um reservatório de células de glioblastoma.

A investigação de Sara Piccirillo sobre a zona subventricular também destacou um segundo fator na recorrência do glioblastoma: a microglia. Essas células imunológicas circundam as células residuais do glioblastoma. Normalmente, a microglia recolhe e remove resíduos das células cerebrais e defende o cérebro contra o cancro e infeções. A oncologista descobriu que, na zona subventricular, a microglia auxilia no crescimento dos tumores de glioblastoma.