Carne à base de plantas não acolhe uma boa perceção dos consumidores

Carne à base de plantas não acolhe uma boa perceção dos consumidores
Carne à base de plantas não acolhe uma boa perceção dos consumidores

Os consumidores de carne consideram a ingestão de carne à base de plantas mais arriscada e com menos valor do que a carne convencional, independentemente de como seja comercializada. A conclusão é de uma nova investigação da Universidade de Adelaide, Austrália.

As perceções dos consumidores reduzem a disposição em comprar carne à base de plantas e em recomendá-la a outras pessoas, esclarece a Universidade.

Os resultados do estudo já se encontram publicados no Journal of Marketing Management, que indica que para o estudo foram entrevistados quase 1.000 adultos australianos num processo online projetado para refletir a população australiana por idade, sexo e estado.

O estudo examinou diferentes tipos de risco percebido, incluindo preocupações financeiras, psicológicas e relacionadas ao tempo, juntamente com perceções de qualidade do produto e custo-benefício.

Esperávamos que o apelo publicitário tivesse um efeito geral mais forte, mas para a maioria dos consumidores de carne fez pouca diferença”, disse, citada em comunicado, a investigadora principal do estudo, Cassidy Shaw, da Escola de Marketing da Universidade de Adelaide.

A perceção que eles já tinham da carne à base de plantas como sendo mais arriscada e oferecendo menos valor continuou a ser a influência mais forte nas decisões. Isto está de acordo com o que sabemos sobre atitudes estabelecidas: uma vez formadas, elas tendem a ser duradouras e difíceis de mudar ao longo do tempo”, acrescentou Cassidy Shaw.

Para a maioria dos consumidores de carne, a mudança na publicidade, que passou de mensagens emocionais, como enfatizar o prazer, para mensagens racionais focadas na saúde, não alterou essas perceções. No entanto, no estudo onde também colaboraram Armando Corsi, David Jaud, Rebecca Dolan e Steve Goodman, as respostas variaram entre os diferentes grupos de consumidores.

A publicidade por si só dificilmente conseguirá superar as preocupações da maioria dos consumidores de carne, porque as perceções de risco e valor são mais influentes do que o estilo da mensagem em si”, disse a investigadora Cassidy Shaw.

Entre os consumidores mais jovens, a publicidade emocional acabou por ter o efeito contrário, reduzindo a aceitação da carne à base de plantas porque diminuiu a perceção de qualidade”, e “entre os consumidores vegetarianos, mensagens racionais fortaleceram a perceção de qualidade e aumentaram a sua disposição para comprar e recomendar o produto”, esclareceu a investigadora.

A Universidade de Adelaide refere que o interesse por carne à base de plantas está a crescer rapidamente, com as vendas quase dobrar desde 2019, à medida que os consumidores procuram cada vez mais alternativas por razões ambientais, de bem-estar animal e de saúde.

No entanto, refere a Universidade que a Austrália continua a ser um dos maiores consumidores de carne do mundo, refletindo fortes preferências sociais e culturais, além da incerteza quanto ao sabor, à qualidade e aos benefícios para a saúde das alternativas à base de plantas.

Com o estudo os investigadores pretendiam entender por que muitos consumidores continuam hesitantes, apesar da crescente consciencialização sobre questões de sustentabilidade e os benefícios para a saúde associados à redução do consumo de carne.

Ora, os resultados vieram corroborar investigações anteriores que mostravam que os consumidores continuam mais hesitantes em relação à carne à base de plantas do que à carne convencional, ao mesmo tempo o estudo oferece novas perspetivas sobre as perceções que impulsionam essa relutância.

A Universidade refere que os investigadores afirmam que os profissionais de marketing devem adaptar suas mensagens a diferentes grupos de consumidores. Para consumidores mais jovens e vegetarianos, mensagens factuais e racionais que comuniquem claramente a qualidade do produto parecem ser mais eficazes.

Para quem consome carne, a comunicação deve concentrar-se em reduzir os riscos percebidos, sejam eles financeiros, psicológicos ou relacionados ao tempo, tranquilizando os consumidores de que os produtos à base de plantas têm um sabor agradável e oferecem uma boa relação custo-benefício.

Os investigadores também afirmam que os fabricantes devem continuar a melhorar o sabor, a textura e a qualidade geral da carne à base de plantas para que ela seja mais amplamente aceite.