
Os eletrocardiogramas (ECG) são exames que registam a atividade elétrica do coração e são usados pelos médicos como recurso auxiliar para o diagnóstico de doenças cardíacas. No entanto, alguns médicos nem sempre conseguem interpretar as informações geradas pelo eletrocardiograma.
Para ultrapassar a falta de interpretação dos eletrocardiograma, o investigador Sagnik Dakshit, da Universidade Estadual de Kennesaw, apoiado por uma bolsa de 145 mil dólares da Fundação Nacional de Ciência está a trabalhar para ajudar no desenvolvimento de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para analisar eletrocardiogramas. O objetivo é tornar os resultados da tecnologia mais fáceis de entender e mais úteis no atendimento ao paciente.
Os sistemas de IA podem aprender a reconhecer padrões em eletrocardiogramas, mas os motivos por trás dessas descobertas muitas vezes não são claros. Mesmo quando existe uma explicação, ela pode fazer mais sentido para um cientista da computação do que para um médico.
“Nós, como cientistas da computação, conseguimos interpretar isso, mas quando mostro a um médico, não faz sentido, porque não é assim que eles trabalham”, explicou Sagnik Dakshit. “Então, o objetivo é pegar essas explicações e alinhá-las melhor à terminologia clínica, para que sejam mais interpretáveis e realmente ajudem os médicos.”
Num trabalho em colaboração com médicos da Faculdade de Medicina da Universidade do Texas em Tyler, Sagnik Dakshit também planeia abordar a escassez de exemplos de treino para doenças cardíacas raras. A equipa pretende usar conhecimento médico para criar amostras artificiais de ECG que possam ajudar a IA a aprender a reconhecer esses padrões incomuns.
Outro objetivo é ajudar o sistema de IA a sinalizar quando houver incerteza e for necessária a revisão por um médico, reduzindo potencialmente resultados incorretos.
A longo prazo, investigador vê a IA como uma ferramenta que ajudará os médicos a analisar eletrocardiogramas mais rapidamente e a identificar casos que necessitam de atenção urgente.
“A participação de um especialista clínico é imprescindível”, afirmou Sagnik Dakshit. “O objetivo é fornecer aos médicos informações mais claras que eles possam ponderar juntamente com sua própria experiência ao tomar decisões sobre os pacientes.”














