Coronavírus propaga-se pelo ar e aumenta com sistemas de ventilação

Investigadores indicam que o novo coronavírus se propaga pelo ar, e que as autoridades de saúde devem alertar a população para medidas de prevenção. É pedido que sejam promovidas investigações para estudar o impacto da propagação aérea do vírus.

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Gotículas maiores com conteúdo viral depositam-se perto do ponto de emissão (transmissão de gotículas), enquanto as menores podem percorrer metros ou dezenas de metros a longas distâncias pelo ar em ambientes fechados (transmissão em aerossol).
Gotículas maiores com conteúdo viral depositam-se perto do ponto de emissão (transmissão de gotículas), enquanto as menores podem percorrer metros ou dezenas de metros a longas distâncias pelo ar em ambientes fechados (transmissão em aerossol).

Investigadores pedem às autoridades de saúde para alertarem de imediatamente a população para a transmissão aérea de gotículas do novo coronavírus de uma pessoa infetada que vai para além de 1,5 metros para que possa ser contida a propagação da doença.

Ludia Morawska, especialista mundial em saúde e qualidade do ar, e a professora Junji Cao, da Academia de Ciências Chinesa, em artigo publicado na Environment International, pedem às autoridades de saúde que promovam investigações sobre a transmissão aérea do coronavírus causador da COVID-19.

Para Ludia Morawska é imprescindível que os responsáveis políticos pela implementação de medidas de controlo da pandemia reconheçam as evidências dados pela investigação sobre transmissão aérea de gotículas com vírus, e considera ser o momento ideal para continuar a desenvolver investigação sobre a propagação aérea do coronavírus.

Estudos na China revelam vários casos de transmissão sem contacto, especialmente em áreas fora da cidade de Wuhan, bem como “em vários navios de cruzeiro onde milhares de pessoas a bordo foram infetadas, muitas das infeções ocorreram depois dos passageiros se isolar nas suas cabines, mesmo com a higiene das mãos implementada”.

Os investigadores indicam que, nestes casos, “o sistema de ventilação pode ter espalhado o vírus no ar entre cabines” e acrescentou que se conhece que “o antecessor do coronavírus SARS.CoV-2, causador da COVID-19, o SARS.CoV-1, espalhou-se no ar no surto de 2003. Vários estudos explicaram retrospetivamente essa via de transmissão no Hospital Prince of Wales de Hong Kong, bem como em instalações de saúde em Toronto, Canadá”.

A OMS, em estudo de 2009, descobriu que “as doenças virais podem ser transmitidas à distância em ambientes internos por aerossóis ou infeções transmitidas pelo ar e podem resultar em grandes aglomerados de infeções num curto período”.

Para Ludia Morawska as autoridades precisam de adotar algumas medidas de saúde pública para reduzir a transmissão aérea:

Aumentando a ventilação dos espaços internos;
Por uso de ventilação natural;
Não fazer recirculação do ar;
Evitando ficar no fluxo de ar direto de outra pessoa;
Minimizando o número de pessoas que compartilham o mesmo ambiente;
Fornecendo ventilação adequada nas casas de repouso, hospitais, lojas, escritórios, escolas, restaurantes e navios de cruzeiro, entre outros espaços.

A cientista referiu que o conteúdo líquido das gotículas de vírus começa a evaporar imediatamente após a expiração e algumas ficam tão pequenas que podem viajar pelas correntes de ar, em vez de cair no chão como as gotículas maiores.

“Essas pequenas gotículas podem transportar o conteúdo viral, até dezenas de metros, da pessoa infetada”.

A cientista referiu que é difícil detetar diretamente os vírus que viajam no ar porque é necessário conhecimento do fluxo de ar de uma pessoa infetada e um longo período de amostragem para recolher cópias suficientes do vírus.

A transmissão aérea deve ser levada a sério, e devem ser adotadas as devidas precauções, pois “já perdemos um tempo valioso ignorando esse método de propagação e devemos agir com a presunção de que o COVID-19 está espalhar-se no ar”.

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