Medicamento Aviptadil pode salvar pacientes de COVID-19 em estado crítico

Aviptadil pode salvar pessoas que sofrem de síndrome do desconforto respiratório agudo motivado pela COVID-19. O medicamento vai ser usado em doentes em condição grave e em risco de vida onde ventilação mecânica não apresenta sucesso.

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Medicamento Aviptadil pode salvar pacientes de COVID-19 em estado crítico
Medicamento Aviptadil pode salvar pacientes de COVID-19 em estado crítico. Foto: © Rosa Pinto

O medicamento Aviptadil vai ser usado para tratar pacientes da COVID-19 gravemente doentes que enfrentam uma alta taxa de mortalidade por causa de inflamação aguda que enche os pulmões de líquido, uma condição grave que nem a ventilação mecânica pode melhorar. O estudo clínico tem a acompanhamento da Universidade da Califórnia, Irvine (UCI).

O Aviptadil, que tem 20 anos de uso em ensaios clínicos em humanos para doenças pulmonares, vai ser usado num estudo clínico de fase 2b e 3 em pacientes com COVID-19 que sofrem de síndrome do desconforto respiratório agudo, uma causa primária de morte induzida por coronavírus, esclareceu Richard Lee, Divisão de Doenças Pulmonares e Medicina Intensiva da UCI Health.

“Estamos muito satisfeitos por ser um dos primeiros centros a lançar este estudo clínico”, referiu Richard Lee, investigador principal do estudo clínico Aviptadil. “Este estudo vai concentrar-se em pacientes para os quais a mortalidade é assustadoramente alta. Se for bem-sucedido, esperamos que tratamentos com o Aviptadil possam alterar as hipóteses de sobrevivência destes pacientes.”

Vão ser incluídos no estudo 30 pacientes do Centro médico da UCI. Os participantes elegíveis vão ser os pacientes hospitalizados com síndrome do desconforto respiratório agudo devido ao COVID-19 e necessitam de intubação e ventilação mecânica.

O medicamento da empresa suíça Relief Therapeutics Holding, o Aviptadil, foi usado em ensaios para sarcoidose, uma doença inflamatória que ataca os pulmões e glândulas linfáticas, bem como para fibrose pulmonar e hipertensão pulmonar.

Forma sintética do polipeptídeo intestinal vasoativo humano, o Aviptadil tem como alvo moléculas inflamatórias nos pulmões chamadas citocinas que o COVID-19 provoca como uma tempestade, encharcando os sacos de ar dos pulmões na água e tornando-os incapazes de fornecer oxigénio.

O medicamento pode servir como uma das últimas linhas de defesa nos casos em que surgem complicações significativas da COVID-19, geralmente em idosos e em outras condições médicas, referiu o investigador.

A farmacêutica NeuroRx Inc., parceira americana da Relief Therapeutics, com operações em Radnor, Pensilvânia, está a liderar o ensaio clínico Aviptadil. Num estudo anterior do polipeptídeo intestinal vasoativo para a síndrome do desconforto respiratório agudo em oito pacientes com sepse, sete pessoas em ventilação mecânica apresentaram melhoras substanciais e seis tiveram alta hospitalar, referiu Jonathan Javitt, CEO da NeuroRx.

“Se os resultados iniciais puderem ser replicados na síndrome do desconforto respiratório agudo causada pelo COVID-19, este tratamento poderá ter um grande impacto tanto na sobrevivência à COVID-19 como na disponibilidade de ventiladores para pessoas em situação critica”.

A UCI é um dos três locais envolvidos no lançamento do ensaio clínico Aviptadil, os outros são a Universidade de Miami e o Hospital Thomas Jefferson University, na Filadélfia. No total os pacientes envolvidos no ensaio clinico é de cerca de 120, e o estudo concluído este ano.

O ensaio clínico Aviptadil está entre os vários estudos relacionados à COVID-19 em curso na UCI Health. Em 29 de abril, os médicos da UCI Health anunciaram que os ensaios mostraram que o antiviral remdesivir diminuiu significativamente a progressão da COVID-19. A UCI Health iniciou um estudo clínico do remdesivir em meados de março. Uma segunda fase da avaliação do remdesivir está ainda pendente.

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