Uma nova geração de lasers avançados pode impulsionar uma revolução robótica

Uma nova geração de lasers avançados pode impulsionar uma revolução robótica
Uma nova geração de lasers avançados pode impulsionar uma revolução robótica. Foto: LITILIT

A Inteligência Artificial (IA) ​​está a acelerar o interesse pela robótica, o que leva a prever que o mercado global da robótica cresça drasticamente na próxima década. Os especialistas da LITILIT, empresa especializada em lasers de femtossegundos, indicaram que os recentes avanços na robótica tornam os novos sistemas robóticos industriais suficientemente robustos e precisos para substituir as tradicionais chaves de fendas por ferramentas de precisão.

No primeiro semestre de 2026, os investimentos em robótica subiram para 47,4 mil milhões de dólares, que de acordo com os cálculos da Crunchbase (sistema baseado em inteligência preditiva), é um aumento de 80% face ao período homólogo.

Os analistas do setor preveem que o mercado da robótica poderá crescer, em média, cerca de 25 vezes até 2035. Um relatório do Barclays estima que o mercado da robótica humanoide poderá saltar dos atuais 2 a 3 mil milhões de dólares para 200 mil milhões, num cenário mais otimista.

O relatório do Barclays aponta que os robôs humanoides representem uma parte significativa da expansão, ajudando a mitigar a escassez de mão-de-obra, a automatizar fluxos de trabalho repetitivos e a assumir tarefas fisicamente exigentes ou perigosas nos setores da indústria transformadora, logística, agricultura e saúde, aponta o relatório.

Para Nikolajus Gavrilinas, cofundador e CEO da LITILIT, fabricante de lasers, os avanços na robótica oferecem também uma grande oportunidade para a manufatura de maior valor acrescentado. À medida que os robôs industriais se tornam mais potentes e precisos, podem ser equipados com ferramentas mais avançadas, como os lasers de femtossegundos.

A maioria dos robôs industriais são hoje utilizados com ferramentas para agarrar, aparafusar, fixar porcas, furar, embalar ou realizar tarefas semelhantes. Ao equipar essa mesma máquina com um laser avançado, ela passa a atuar numa categoria diferente de trabalho: a manufatura de precisão. Isto significa processar materiais com muito mais exatidão e gerar mais valor a partir da mesma plataforma automatizada”, afirmou, citado em comunicado, Nikolajus Gavrilinas.

A LITILIT esclareceu que os lasers de femtossegundos utilizam impulsos extremamente curtos, capazes de processar materiais sem danificar as estruturas adjacentes. Isto torna-os úteis em aplicações de alta precisão, nas quais até mesmo pequenas quantidades de calor podem afetar o material que está a ser processado.

Como descreve Nikolajus Gavrilinas um laser deste tipo montado num sistema robótico, poderá realizar tarefas como a perfuração de vias através do vidro em *interposers* de semicondutores, corte de vidros de cobertura curvos para telemóveis dobráveis ​​e a gravação de códigos de rastreabilidade duráveis ​​em baterias de veículos elétricos.

No entanto, e como indicou a LITILIT, o principal obstáculo a estas aplicações é o tamanho do laser. Muitos lasers de femtossegundos são demasiado grandes e complexos para serem montados diretamente num sistema robótico móvel. Nikolajus Gavrilinas afirmou que a redução do tamanho foi um objetivo de projeto para a LITILIT, e as suas unidades são 1,5 a 2 vezes mais pequenas do que um laser de femtossegundos típico.

“Historicamente, a maioria dos lasers de femtossegundos tiveram origem em sistemas científicos. Podem oferecer um elevado desempenho, mas são frequentemente grandes, complexos e requerem manutenção periódica. Os lasers da LITILIT utilizam um design modular, um elevado nível de automatização e uma menor complexidade de componentes, tornando-os suficientemente compactos para a integração robótica e práticos para uso industrial”, referiu Nikolajus Gavrilinas.

Entretanto, esta arquitetura também permite à LITILIT fabricar lasers avançados em escala. Assim, a empresa está atualmente a desenvolver uma fábrica de lasers de femtossegundos em Vilnius e planeia iniciar a produção em outubro de 2026.

A empresa indicou que nos próximos anos, planeia fabricar até 3.000 lasers por ano, caminhando para se tornar uma das fábricas de lasers de femtossegundos com maior capacidade do mundo.

A LITILIT fabrica lasers com base em algumas invenções patenteadas, criadas pelos cofundadores da empresa: Kęstutis Regelskis, Nerijus Rusteika e Nikolajus Gavrilinas — em estreita colaboração com o Centro de Ciências Físicas e Tecnologia (FTMC), em Vilnius.