Genoma do chá de videira (chinês) revela possuir um potente antioxidante

Genoma do chá de videira (chinês) revela possuir um potente antioxidante
Genoma do chá de videira (chinês) revela possuir um potente antioxidante. Foto: Wikipedia

O chá de videira (nekemia grossedentata) é consumido na China há séculos e é valorizado como bebida e a planta como planta medicinal. É especialmente notável pelo conteúdo de flavonoides, sendo a diidromiricetina a destacar-se como um composto importante associado a propriedades antioxidantes e outras propriedades bioativas – possui capacidade de proteção do fígado, acelerar a metabolização do álcool e de prevenir os sintomas da ressaca.

É crescente o interesse pelo chá de videira para alimentos funcionais, cosméticos e produtos relacionados à saúde. No entanto, os cientistas ainda não dispõem de um genoma de referência e de uma explicação clara para a grande variação no conteúdo de metabólitos entre diferentes cultivares nekemia grossedentata.

Como descreve a Academia Chinesa de Ciências, os cientistas consideram que são necessários estudos aprofundados sobre os mecanismos genéticos que controlam a biossíntese e a diversidade da diidromiricetina no chá de videira.

Investigadores da Universidade Normal do Sul da China, do Instituto de Genómica Agrícola de Shenzhen da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, da Universidade Agrícola do Sul da China e da Academia de Ciências Agrícolas de Guangdong descrevem em artigo publicado a 18 de novembro de 2025, na revista “Horticulture Research”, que geraram o primeiro pan-genoma em escala cromossómica para o chá de videira e que identificaram variações estruturais ligadas a diferenças na quantidade de diidromiricetina entre tipos cultivados.

A equipa de investigadores primeiro produziu montagens genómicas com resolução de haplótipos para dois tipos principais de chá de videira cultivado, um de folhas verdes e outro de folhas roxas, gerando referências em escala cromossómica com alta completude e continuidade.

Em seguida, os investigadores sequenciaram 39 cultivares recolhidos nas principais regiões produtoras do sul da China, e usaram esses dados para construir um pangenoma, que revelou extensa diversidade em famílias de genes, variantes estruturais e estrutura populacional com padrões geográficos. A análise filogenética mostrou ainda que o chá de videira divergiu da Cissus rotundifolia há cerca de 26,67 milhões de anos e da nekemia grossedentata há cerca de 17,30 milhões de anos.

Mas os investigadores consideram que a descoberta mais surpreendente veio da ligação entre a variação genómica e os dados metabólicos. Os níveis de diidromiricetina variavam drasticamente entre as 39 cultivares, desde níveis quase indetetáveis, ​​em algumas linhagens até 27,1 g/100 g em uma das cultivares, a W22. Ao combinar o perfilamento do transcriptoma, a análise de coexpressão e a triagem de variantes estruturais, os investigadores identificaram uma deleção de 1038 pb na região promotora-primeiro éxon de NgF3′5′H em cultivares com baixo teor de diidromiricetina. A expressão de NgF3′5′H foi drasticamente reduzida nessas linhagens, e ensaios funcionais mostraram que o gene promove a conversão em diidromiricetina. A versão deletada também perdeu a localização adequada na membrana e apresentou atividade promotora mais fraca, oferecendo uma explicação molecular direta para as diferenças metabólicas entre as variedades.

O trabalho de investigação demonstrou que a diversidade química do chá de videira não é aleatória, e que está inscrita na arquitetura do seu genoma. Ao identificar a variação estrutural em torno de NgF3′5′H os investigadores forneceram um alvo concreto para a compreensão e o potencial melhoramento da biossíntese de um flavonoide de alto valor.

De forma mais geral, o estudo mostra como a pangenómica pode transformar uma cultura erval tradicional num sistema geneticamente manipulável para o estudo do metabolismo especializado, domesticação e melhoramento de cultivares.

Os investigadores pelo estudo, uma base prática para o melhoramento do chá de videira com qualidade mais consistente e perfis bioativos mais robustos. Marcadores ligados à variação de NgF3′5′H podem auxiliar os melhoristas na seleção de germoplasma com maior teor de diidromiricetina, enquanto o pangenoma mais abrangente oferece uma referência para a descoberta de genes adicionais relacionados ao sabor, adaptação e valor medicinal.

Além do próprio chá de videira, o estudo fornece um modelo para o melhoramento de culturas herbáceas pouco exploradas por meio da seleção guiada pelo genoma. A longo prazo, isto poderá viabilizar o desenvolvimento mais preciso de bebidas funcionais, antioxidantes naturais e produtos de saúde à base de plantas com rastreabilidade molecular mais clara.