A epidemia de obesidade é uma grande preocupação de saúde pública, visto que o excesso de adiposidade é um fator de risco bem estabelecido para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras condições crónicas associadas à mortalidade. Trata-se de uma preocupação estuda por investigadores da Universidade de Rhode Island, EUA.
Como descrito em artigo publicado no “Journal of the American Geriatrics Society“, o índice de massa corporal (IMC) e a circunferência da cintura (CC) são medidas antropométricas amplamente utilizadas para estimar respetivamente a adiposidade total e central.
O IMC é amplamente aplicado em contextos clínicos e epidemiológicos, mas com ele não se distingue entre massa gorda e massa magra, nem leva em consideração a distribuição da gordura. Em contrapartida, a CC reflete a adiposidade abdominal, que demonstrou estar mais fortemente associada ao risco cardiometabólico do que o IMC isoladamente.
Os investigadores indicam que a relação entre o IMC e a CC e a mortalidade por todas as causas tem sido amplamente examinada, e que vários estudos de coorte e meta-análises terão concluído que tanto o sobrepeso quanto a obesidade grau I estão associados a um menor risco de mortalidade entre adultos mais velho, o que é frequentemente denominada “paradoxo da obesidade”.
No entanto, a CC tem sido consistentemente associada a um risco aumentado de mortalidade, independentemente do IMC. Uma meta-análise de 29 coortes envolvendo adultos de 65 a 74 anos demonstrou que uma CC maior estava associada a um maior risco de mortalidade após ajuste para o IMC. Os estudos sugerem que o IMC isoladamente, sem a CC, pode ser inadequado para caracterizar o risco de mortalidade, particularmente em populações idosas.
Os especialistas nas suas recentes orientações têm vindo a referir que o IMC não deve ser usado isoladamente na avaliação do risco à saúde relacionado à obesidade, e a Comissão Lancet sobre Obesidade Clínica recomenda uma estrutura multimétrica que incorpore o IMC com medidas de adiposidade central ou outros indicadores de excesso de tecido adiposo.
Uma posição que está em consonância com a declaração de consenso internacional de Ross et al., que propõe a circunferência da cintura como um sinal vital na prática clínica devido à sua associação independente com morbidade e mortalidade, bem como com Sweatt et al., que destacam as limitações do IMC como ferramenta diagnóstica isolada e defendem a incorporação de medidas complementares de adiposidade. Recomendações que relevam a importância de avaliar tanto a adiposidade geral como a central na avaliação do risco à saúde.
Os investigadores, no seu estudo em adultos americanos com 65 anos ou mais de idade, observaram que o sobrepeso definido pelo IMC e a obesidade de classe I e II estão associados a menor mortalidade em comparação com o IMC normal, enquanto a circunferência da cintura elevada foi associada ao aumento da mortalidade independentemente do IMC.
O estudo identificou fenótipos de alto risco, particularmente IMC normal com circunferência da cintura elevada e baixo peso independentemente do status da circunferência da cintura, que não seriam identificados apenas pelo IMC.
Como referem os investigadores no artigo publicado no “Journal of the American Geriatrics Society” estas descobertas são consistentes com as diretrizes atuais que apoiam o uso da circunferência da cintura juntamente com o IMC na avaliação epidemiológica e clínica de risco entre adultos mais velhos, reconhecendo, ao mesmo tempo, que o diagnóstico formal de obesidade clínica requer a avaliação da disfunção orgânica além das medidas antropométricas.















