Prever o risco de sofrer uma paragem cardíaca súbita foi o objeto de dois estudos de investigadores da Cedars-Sinai Health Sciences University.
“A maioria das pessoas que sofrem uma paragem cardíaca súbita fora do ambiente hospitalar acaba por morrer, portanto, a melhor proteção é estar ciente dos riscos”, afirmou Kyndaron Reinier, diretor associado de Epidemiologia do Center for Cardiac Arrest Prevention do Smidt Heart Institute, no Cedars-Sinai.
Os investigadores esclareceram que uma paragem cardíaca súbita ocorre quando um problema no sistema elétrico do coração faz com que pare de bater. É diferente de um ataque cardíaco, que é causado pela falta de fluxo sanguíneo para o coração. Dados apontam que nos EUA, mais de 350.000 pessoas sofrem, por ano, de paragem cardíaca súbita fora do ambiente hospitalar e que apenas cerca de 10% sobrevivem.
É conhecido dos especialistas que pessoas com baixa fração de ejeção do ventrículo esquerdo, – quando a principal câmara de bombeamento do coração está fraca e bombeia menos sangue do que deveria -, apresentam maior risco de paragem cardíaca súbita. No entanto, para os especialistas esse marcador tornou-se menos eficaz, pelo que são necessários outros indicadores para identificar mais pessoas em risco.
“Mais de dois terços das pessoas que sofrem parada cardíaca não apresentam baixa fração de ejeção do ventrículo esquerdo, portanto, usar apenas este marcador deixa de fora muitos casos”, disse Kyndaron Reinier.
Um estudo já publicado na revista Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology mostra que sintomas de alerta, combinados com o histórico clínico, podem prever uma paragem cardíaca súbita iminente. Outro estudo, já publicado no Journal of the American Heart Association, refere que ter mais de um evento cardíaco ao longo do tempo pode sinalizar um crescente risco.
Como ler os sintomas de alerta
Os investigadores envolvidos no estudo publicado na revista “Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology” utilizaram aprendizagem automática para identificar combinações de sintomas e histórico médico que melhor podem prever uma paragem cardíaca súbita num futuro próximo.
No estudo foram incluídas pessoas inscritas em dois estudos separados e de longa duração, realizados no Oregon e no Condado de Ventura, na Califórnia, e fundados por Sumeet Chugh, diretor do Center for Cardiac Arrest Prevention do Smidt Heart Institute. Os investigadores compararam 364 pessoas que ligaram número de emergência ao apresentarem sintomas como dor no peito e sobreviveram a uma paragem cardíaca súbita, com 313 pessoas que ligaram para o número de emergência por apresentarem sintomas semelhantes, mas não sofreram paragem cardíaca súbita.
A análise revelou que pessoas com paragem cardíaca súbita confirmada apresentavam maior probabilidade de ter uma combinação de falta de ar e diagnóstico de doença arterial coronariana ou insuficiência cardíaca do que pessoas que não sofreram parada cardíaca súbita. Sintomas semelhantes a convulsões, sem dor no peito ou falta de ar, também foram mais comuns em pessoas que sofreram paragem cardíaca súbita.
Os investigadores também descobriram que a dor no peito combinada com doença arterial coronária previa uma paragem cardíaca iminente em mulheres, enquanto a dor no peito combinada com insuficiência cardíaca previa essa paragem em homens.
Os sintomas de alerta geralmente ocorriam pelo menos 15 minutos antes da paragem cardíaca súbita, um intervalo de tempo que poderá permitir ligar para o serviço de emergência. Em estudos anteriores, os investigadores descobriram que 81% das pessoas atrasavam a ligação para o serviço de emergência, e neste caso reduzam as possibilidades de serem reanimadas com sucesso pelos paramédicos da ambulância.
Para os investigadores as descobertas podem vir a ser usadas para criar algoritmos de previsão de risco para uso por profissionais de saúde de emergência e de medicina de urgência. “Embora sejam necessárias mais estudos, os algoritmos de previsão de risco têm o potencial de evitar atrasos nas ligações para o número de emergência após sintomas de alerta de paragem cardíaca súbita“, disse Sumeet Chugh, vice-reitor e diretor de investigação em IA na área da saúde do Cedars-Sinai.















